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domingo, 9 de janeiro de 2011

O primeiro encontro de 2011

Após meses de silêncio, estamos aqui outra vez. Em uma noite hilária, com direito crises de riso às custas da infeliz confusão hermenêutica de Fialho sobre cenas do cinema nacional (para maiores detalhes, consultar o próprio), degustamos cinco garrafas: Cuna de Piedra 2006 (Cabernet - Uruguai), Quinta do Portal 2006 (Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca - Portugal - Douro), Trapiche Pinot Noir Roble 2008 (Argentina - Mendoza - Lujan de Cuyo), um Porca de Murça (que infelizmente não anotamos a safra) e um excelente Elos 2007 da nacionalíssima Lídio Carraro (Brasil - Vale dos Vinhedos - Malbec/Cabernet).




Sem dúvidas, o mais marcante da noite foi o Elos, vinho com bom corpo, cor e aromas intensos e excelente persistência. Acompanhou muito bem o prato de beringelas gratinadas com Parma e Mussarela de búfala elaborado por André (Fialho). Um interessante corte de Malbec e Cabernet que efetivamente posiciona os vinhos nacionais na mesma prateleira dos bons vinhos da Argentina, Chile e Portugal.

Outra garrafa interessante foi o Pinot da Trapiche, que surpreendentemente se integrou bem com o carvalho (9 meses envelhecido em Carvaho Francês e Americano), o que criou uma referência diferente da que estamos acostumados em ver nos Pinots.

O cabernet Uruguaio (Cuna de Piedra) se mostrou um vinho bastante agradável. Mais puxado ao frutal do que ao amadeirado, só deixou um pouco a desejar em relação à persistência.

Os lusitanos Quinta do Portal e Porca de Murça, por sua vez, se mostraram vinhos agradáveis, ainda que sem um caráter marcante. Se posicionam mais como vinhos de acompanhamento - agradariam qualquer público em qualquer mesa de jantar - do que vinhos de degustação. Certamente têm o seu lugar.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A safra de 2007 do Douro

De acordo com os especialistas, a safra de 2007 do Douro rendeu vinhos classificados tecnicamente, ao menos na Bahia, como: Miserê! O que traduzindo para o restante do inculto Brasil: do Caraleo!!
Isso já se reflete, por exemplo, nas avaliações de alguns Vinhos do Porto. A revista Adega divulgou uma pequena lista que achei interessante repassar:
-Dow’s Vintage 2007 – 94 pontos
-Fonseca Vintage 2007 – 95 pontos
-Granham’s Vintage Port 2007 – 95 pontos
-Nierpoort Vintage 2007 – 96 pontos
-Taylor’s Vintage 2007 – 97 pontos
Enfim: como pelo simples fato de ficarem famosinhos vai fazer com que os preços desses vinhos cheguem a sifras que pesariam no meu reduzido orçamento, quem quiser me mandar uma garrafa, eu juro que provo e coloco minha opinião pessoal aqui no blog.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Amália Rodrigues - Nem às paredes confesso


Depois de tantas postagens tendo como tema de fundo a boa terrinha, minha primeira contribuição para a seção SOMmelier não poderia trazer coisa diversa. Uma boa noite portuguesa, regada a vinhos portugueses deixa de ter o encanto lusitano se não se ouvir, pelo menos algumas vezes, a “Rainha do Fado”, Amália Rodrigues. Eis o clásico “Nem às paredes confesso”, na voz da cantora e atriz nascida em lisboa, nos idos de 1920, comumente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. De lambuja, foto da Senhora minha mãe à porta da Adega Machado, tradicional casa de fado localizada no Bairro Alto, em Lisboa, bem como da carta deixada pela própria Amália à proprietária da casa.



terça-feira, 24 de novembro de 2009

QL - Alvarinho 2007 (Vinho Verde) - Só meu!

Entre Amarante e Felgueiras, na Região do Minho, nasceu o orgulho da Quinta da Lixa e da região demarcada dos Vinhos Verdes: QL – Alvarinho 2007. A referida Quinta tem se gabado por ter produzido um vinho que, além de tantos outros, recebeu a Grande Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas de 2008. Segundo alardeiam em seu site (www.quintadalixa.pt), é a primeira vez que um Vinho Verde obtém a Grande Medalha de Ouro entre os melhores vinhos do mundo no CMB, obtendo nota acima de 96 pontos. Permitam-me, neste ponto, que me gabe de ter bebido esta garrafa sozinho, sem qualquer remorso. Só lamento por vocês! Assim como a medalha que recebera, aos olhos apresenta-se dourado, com reflexos citrinos. Seu aroma é intenso, exalando notas florais assim que se abre a garrafa, passando, com o tempo na taça, a aromas mais cítricos, que lembram uma limonada. Na boca, uma acidez sensacional, aliada a um levíssimo amargor, traz, efetivamente, à lembrança, uma boa limonada suíça. Tudo isso somado à gaseificação inerente aos Vinhos Verdes deixa esse exemplar absolutamente refrescante, caindo perfeitamente bem num ensolarado domingo à tarde, que, alias, foi a exata ocasião em que bebi. Egoísmos e lamentos à parte, outra garrafa já foi encomendada para, desta vez, ser compartilhada. Ou não.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

CALLABRIGA 2005 – CASA FERREIRINHA, DOURO – PRECISAMOS MELHORAR O TRANSPORTE DOS VINHOS QUE COMPRAMOS EM VIAGENS


Mais uma baixa que provocamos na lusitana adega de Fialho. Esse tinto do Douro, produzido pela Casa Ferreirinha, certamente passou por maus bocados durante sua viagem de Portugal para o Brasil.
Relembrando os heróis do descobrimento, essa garrafa resistiu a condições degradantes ao ser transportada entre cuecas usadas e meias sujas do nosso amigo André.
É verdade que ela chegou inteira, mas seu conteúdo não ficou intacto.
Brincadeiras à parte, esse vinho certamente já estava descendo a ladeira.
Se trata de um tinto do Douro produzido a partir de uvas das castas tradicionais Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, plantadas na região do Douro Superior, próximo de Barca d.Alva, oriundas da Quinta da Leda. (http://www.sograpevinhos.eu/marcas/4/gama/1372)

Notamos, inclusive, a ocorrência de um defeito que, após uma pequena pesquisa ao Googlemmelier, deve ter relação com a presença de sulfeto de hidrogênio.
Segundo uma interessante matéria do site da revista Adega “certas leveduras, diante de condições extremas de carência de nutrientes no produto, passam a se alimentar de aminoácidos que contêm enxofre, produzindo estes compostos indesejáveis, como o sulfeto de hidrogênio (H2S), mercaptanos e tióis. Vale lembrar que a incidência de iluminação direta por período prolongado pode acelerar o processo de produção destas substâncias, um mal conhecido como "gosto de luz" (goût de lumière).
O sulfeto de hidrogênio possui o aroma característico de ovos cozidos em excesso (alguns chegam a falar em cheiro de ovo podre). Por se tratar de um gás bastante volátil, normalmente agitando-se o vinho na taça ou decantando a garrafa conseguimos eliminar este problema.” (http://revistaadega.uol.com.br/Edicoes/42/artigo132576-2.asp)
No caso da garrafa que provamos não se chegava, nem de longe, a se sentir nenhum cheiro de ovo podre, mas havia um leve cheiro de clara de ovo que certamente influenciou negativamente.
Mas como conosco não tem tempo ruim, seguimos em frente e anotamos o seguinte: Pouco corpo, curto e com depósitos.
Nos deu a impressão de que, se estivesse a 100%, poderia ser um vinho interessante e complexo, com notas de eucalipto e especiarias.
Diante dos problemas já listados, qualquer julgamento taxativo seria injusto. Só mesmo outra garrafa pra tirar a prova.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"O vinho é 99% psicológico"

Ainda bem que Lawrence Osborne está certo (ainda que em parte), ao defender que 99% do vinho é psicológico. Depende do lugar e da companhia.
Digo que ele está certo em parte, pois não concordo com o percentual. Acho que uns 70% está de bom tamanho. Mas que existe uma influência clara, não há como negar.
O vinho é uma bebida. Isto é obvio. O que o torna diferente, entretanto, é a que ele é uma bebida múltipla, que pode assim ser bebido sem muitas pretensões, para simplesmente compor a mesa, ou ser o veículo de uma experiência complexa. Essa experiência envolve aromas, sabores e, principalmente, sentimento. Amizade, amor e, numa noite romântica... muito mais que isso.
Ontem, por exemplo, provamos 03 garrafas. Uma Etchart, Privado Cabernet Sauvignon 2008, uma Callabriga, da Casa Ferreirinha (Douro) de 2005 e um Angheben, Touriga Nacional 2005. Falaremos deles detalhadamente muito em breve, mas o que posso adiantar é que, embora o Angheben tenha se destacado, o fato é que nenhum foi, tecnicamente, um grande vinho. O primeiro, razoável e, talvez, ainda um pouco jovem. O segundo, provavelmente, já na descendente ou mesmo mal viajado - como dizem alguns – entre as cuecas sujas e meias usadas de Fialho. O último uma grata surpresa, por nos fazer ver que realmente acabaram-se as fronteiras para os vinhos – no Brasil se produz, sem dúvida, um bom vinho de nome alemão e com essa casta típica lusitana. Mas, nenhum ganhou visto permanente em nossas adegas. No máximo, visto de turista.
O que fica registrado é o momento. Esses vinhos foram o veículo de uma viajem divertidíssima em que fomos da Cuba revolucionária à Alemanha Nazista passando, de quebra, por baixo da caixa d’agua do Tomba em Feira de Santana.
A avaliação fria e técnica das garrafas pode até ser feita e ficará registrada para quem quiser usar como referência. O que o conteúdo das garrafas nos acrescentou, infelizmente, fica registrado nas nossas retentivas meio fora de órbita.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Quinta de Gomariz e a Serpente de Cabelos
















Entre os habitantes de Sequeiró, local onde é produzido o Vinho Verde postado abaixo, é passada, de pai para filho, uma narrativa fantástica que associa a ficção e a realidade.


Acreditava-se que, pelos arredores do Pinheiro-torto, Trás-da-cerca e das bouças da Quinta de Gomariz (quinta que dá nome àquele vinho) aparecia uma serpente com cabelos negros que habitava as velhas minas que tinham ligação com o mosteiro de Landim (foto acima), em busca dos Vinhos dali.


À primeira vista soa muito estranho esta estória que traz em seu bojo uma serpente de cabelos zanzando por Trás-da-cerca e pelo pau torto (quis dizer, Pinheiro-torto).


Neste ponto tenho certeza que vocês já estão se perguntando: que merda é essa que Fialho quer dizer? Será que tem algo a ver com o Vinho postado abaixo além da referência à Quinta de Gomariz?


Vejam. A realidade nesta estória está nos locais nela apontados que, realmente, existem. Entretanto, o significado da ficção criada em torno da “serpente de cabelo” que aparecia “em busca do vinho” (que pode ser o postado abaixo) é que valeu a pena desvendar.


E a resposta, meu amigos, sobre quem desejava tanto aquele vinho, encontrei em Cruz e Souza, poeta brasileiro precursor do simbolismo:


Serpente de Cabelos


A tua trança negra e desmanchada
Por sobre o corpo nu, torso inteiriço,
Claro, radiante de esplendor e viço,
Ah! lembra a noite de astros apagada.

Luxúria deslumbrante e aveludada
Através desse mármore maciço
Da carne, o meu olhar nela espreguiço
Felinamente, nessa trance ondeada.

E fico absorto, num torpor de coma,
Na sensação narcótica do aroma,
Dentre a vertigem túrbida dos zeros.

És a origem do Mal, és a nervosa
Serpente tentadora e tenebrosa,
Tenebrosa serpente de cabelos!...

Quinta de Gomariz – Colheita Selecionada - O Vinho do verão

Seguindo o caminho resiliente de Ricardo, volto a trazer aos meus amigos mais uma dica: O Quinta de Gomariz – Colheita Selecionada. Esta garrafa de Vinho Verde branco veio diretamente de Portugal na mala de meu Pai (vide postagem realizada em 17/08/2009) e, como não poderia deixar de ser, foi apreciada por mim e por ele, na companhia do velho Juruba.

Embora Karen Macneil (em A Bíblia do Vinho) considere que “muitos Vinhos Verdes sejam simples e neutro, próprios para acompanhar humildes pratos de peixe”, o Quinta de Gomariz – Colheita Selecionada, produzido em Sequeiró, na cidade de Santo Tirso, às margens do Rio Ave e exatamente na fronteira entre a Região do Douro (da qual faz parte) e do Minho, foge, completamente, a tais características.

Aos olhos apresenta-se na cor citrina (adjetivo muito utilizado em Portugal para descrever aquele amarelo esverdeado presente, e.g., num limão muito maduro), límpido e brilhante. No nariz é clara a presença de toques florais e viva as notas de frutas. Na boca mostra-se suave, com boa persistência, e com acidez que lembra a maça verde.

A sua leve gaseificação, aliada ao baixo teor alcoólico (apenas 11,5%), bem como a recomendação de ser servido gelado (entre 8 e 10ºC) torna este vinho perfeito para ser apreciado no nosso verão.

Para não perder o costume, vale dizer que este vinho foi premiado com a medalha de ouro da CVRVV - Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (2009), bem como com a medalha de ouro no CMB de 2009.

Para maiores informações e, inclusive, compra on-line, acesse WWW.quintadegomariz.com

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vale dos Lobos Cabernet Sauvignon 2005 - Um "traidor do movimento" ou um "ousado tradicionalista"?




Nunca fui um fanático pela febre varietal, ainda mais quando descobri que ela surgiu por iniciativa dos americanos, como uma forma de tentar convencer os consumidores de vinhos de que o simples fato de se utilizar uma casta típica do velho mundo seria a garantia de que os produtores americanos estariam fazendo bons vinhos. Porém, como a grande maioria das jogadas de marketing dos EUA, o fato é que isso deu certo. Tão certo que hoje é praticamente impossível que o consumidor não se interesse por saber “de qual uva” é feito o vinho que ele pretende comprar.
Talvez essa resistência tenha surgido na minha morada temporária Portugal, onde meus amigos se orgulhavam em dizer que “vinho bom é vinho caseiro”, e onde os grandes vinhos de referência – inclusive o Porto – são sempre resultado de uma alquimia de três ou mais (as vezes muito mais) castas.
Mas o fato é que o anseio varietal é hoje parte do mundo dos vinhos. Basta ver esse blog, que fez questão de listar as variedades de uvas postadas.
Passei então a achar que o problema só era realmente sério quando regiões tradicionalmente produtoras de vinhos com castas típicas passaram a utilizar outras variedades mais desejadas pelo mercado internacional – a exemplo da Cabernet Sauvignon.
Foi justamente nesse cenário, repleto de preconceito, que provei o Vale dos Lobos Cabernet Sauvignon 2005 trazido por Fialho diretamente de terras lusitanas.
Vinho português do Ribatejo que se rendeu aos anseios mercantilistas dos yankees ignorantes! Um traidor do movimento! João Gordo dos vinhos!
Quebrei a cara. O fato é que, como a grande maioria dos preconceitos, esse também foi um julgamento errado.
Esse vinho só prova que há espaço para todo mundo (no caso todas as castas). Do mesmo modo que elogiamos nesse blog alguns tradicionais alentejanos e mesmo alguns italianos típicos, temos que elogiar essa inovadora iniciativa da Quinta da Ribeirinha. (“... empresa familiar, situada na Póvoa de Santarém, uma típica aldeia do Ribatejo, terra de Castelos, Mosteiros e Igrejas históricas, de cidades e vilas outrora Paços Reais.Tal como o nome indica, esta região situa-se na margem norte do Rio Tejo, e a Quinta localiza-se na zona do Bairro Ribatejano.”)
Um vinho tão preocupado em inovar sem se afastar das suas origens que se orgulha em anunciar que se trata de um vinho elaborado por meio de “pisa a pé”.
Um cabernet com pedigree lusitano. Um vinho muito bom, que mantém as características típicas da casta, sem perder, de forma alguma, sua tipicidade pátria – licor de passas, cravo, que lhe confere um ar “aPortoado” nos aromas. Boa persistência, taninos muito aveludados. Aos olhos, um rubi intenso e límpido. 13,5% de álcool.
É um cabernet, mas acima de tudo, é um português.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

QUINTA DA AVELEDA 2007 – BOM PRA ... SUSHI!


Na minha opinião – que ninguém pediu, eu sei – é possível passar anos tomando bons vinhos a preços acessíveis sem cometer um erro sequer. Basta não arriscar. O sujeito pode simplesmente ficar recorrendo aos produtores e produtos que conhece, além, é claro, de também optar pelas combinações mais tradicionais. O problema é que o medo de arriscar (e errar) embora possa agradar os convidados, tira totalmente a graça da coisa.
Se você tem amigos de verdade eles vão compreender se um dia você der alguma “pedrada”. Quer dizer... lógico que eles vão te sacanear, afinal, esse é o papel dos amigos de verdade!
A diversão da parada é essa. Arriscar, acertar, errar, aprender e dar risada.
Mesmo com essa introdução que mais parece uma justificativa, quero falar de um acerto.
Sábado passado uns amigos foram lá em casa pra fazer comida japonesa e, então, comecei a pensar no que poderíamos comprar pra acompanhar.
Achei então que uma opção poderia ser um vinho verde. Mesmo não tendo lido nada a respeito, resolvi arriscar, afinal, o pior que poderia acontecer era recorrer a umas Stellas e guaraná que já estavam de sobreaviso na geladeira.
Escolhi então o Quinta da Aveleda Reserva 2007 (alvarinho, loureiro e trajadura, +ou- R$ 40,00). Mesmo que nunca tivesse ouvido falar desse vinho, acho que acabaria comprando, afinal, ele é um vinho que sabe se vender. Uma garrafa que chama atenção por ser levemente azulada e em formato alongado e que, de quebra, se orgulha de trazer uma pretensiosa indicação de 92 pontos pela Wine & Spirits.
Na taça ele é extremamente límpido com reflexos esverdeados. Ele realmente chama a atenção pela apresentação.
Um bouquet delicado com algo de maçã.
Na boca é delicado e fresco sem o cansaço de uma doçura excessiva (PORRA ISSO TÁ GAY PRA CARÁLEO, MAS NA MORAL DÊEM UM DESCONTO!! É QUE A PORRA ERA ASSIM MESMO!)
PRA NÃO GERAR POLÊMICA VOU TERMINAR ESSE RELATO DIZENDO QUE É UM VINHO DA PORRA QUE ACOMPANHA BEM PEIXE CRU (SUSHI DE SALMÃO, PRINCIPALMENTE). COM SASHIMI DE ATUM ELE SE APAGA UM POUCO. E TEM QUE SER CRU ESSA PORRA, PORQUE COZINHAR PEIXE É COISA DE MULHERZINHA E DE FRESCO BASTA O VINHO!! TENHO DITO!

*ficha técnica - http://www.aveleda.pt/img/vinhos/24/PTQuintadaAveleda-49715.pdf


domingo, 20 de setembro de 2009

Ferreira 10 anos Quinta do Porto Tawny


Aproveitando as curiosidades enofilosóficas do Nego Gil, especialmente quanto ao antigo modo de produção dos Vinhos do Porto, eis uma bela indicação de um licoroso lusitano produzido às margens do Douro: O 10 Anos Quinta do Porto Tawny. Produzido na Quinta do Douro, uma das propriedades da tradicional Ferreira, a partir de castas selecionadas da região, este vinho é, posteriormente, envelhecido por, nada mais nada menos que, dez anos em cascos de carvalho (ou melhor, em pipas de carvalho), fato que lhe confere uma cor mais acastanhada. O Ferreira 10 Anos Quinta do Porto Tawny apresenta aromas de frutos secos e especiarias e, logicamente, de madeira. O que se apresenta no nariz é uma exata prévia do seu sabor bastante aveludado e macio.

Uma curiosidade: O Vinho do Porto é produzido às margens do rio Douro (região de interior) e levados à cidade de Vila Nova de Gaia para envelhecimento nos barris de carvalho, entretanto, ficou conhecido como Vinho do Porto. Na foto postada acima, temos os barcos rabelos, que, antigamente, faziam o transporte do vinho pelo Douro até Vila Nova de Gaia; a Ponte Dom Luiz I, ao fundo; e, à esquerda, a cidade do Porto. À direita, onde se encontra este que vos fala, está Vila Nova de Gaia.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Fazenda Macalé 2001 – Castelão e Cabernet Sauvignon – Boca revestida por um guardanapo

Num desses fins de semana resolvi abrir uma das garrafas que trouxe de Portugal. Confesso que estava um tanto quanto mal acostumado com os vinhos lusitanos, haja vista termos experimentado apenas vinhos de ótima qualidade. Entretanto, qual não foi a minha decepção ao beber o Fazenda Macalé 2001. O fato de haver sido o tal vinho premiado com a medalha de ouro no II Concurso de Vinhos da Península de Setúbal, realizado no ano de 2002, bem como eleito o melhor vinho tinto naquele mesmo concurso fez nascer em mim tamanha expectativa que, talvez, não seja ele tão ruim assim. Como dizem, "quanto maior o gigante, maior a queda". Aos olhos apresenta-se púrpuro, entretanto, bastante turvo. A sua falta de complexidade aromática deixa bastante clara a presença de frutos vermelhos e madeira. Quanto ao paladar, o excesso de taninos faz crer que a boca foi revestida po r um guardanapo, possuindo uma irritante persistência - amenizada, apenas, por um bom copo de leite puro. Não posso negar que o conjunto da obra, aliada ao seu nome nada glamoroso, trouxe-me à memória o sorriso de Tião Macalé, aquele concedido ao público após receber a nota zero, precedido do conhecido: Nojento. Tchan!


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O vinho e a garrafa


Desde que Dom Perignon era vivo que a idéia da garrafa de vidro vedada por uma rolha de cortiça como veículo ideal para a comercialização, armazenamento e mesmo envelhecimento do vinho é dominante no mundo.
Não que se queira atribuir também a ele os louros da criação da fantástica idéia de que os vinhos devem ser engarrafados em vidro. Aliás, ele nem precisa de mais qualquer reconhecimento, afinal, está imortalizado pela história como o homem que deu nome ao vinho espumante mais conhecido e desejado no globo.
A verdade é que esse absurdamente feliz e duradouro casamento entre o vidro e o vinho – retificando, trata-se de um triangulo amoroso, afinal não podemos esquecer que a sugestiva rolha de cortiça se introduz na relação, lá ele! –, criou a plena convicção de que não existe outro recipiente possível para armazenar a bebida dionisíaca. Porém, há provas históricas incontestáveis de que o vinho precede a garrafa de vidro.
Os gregos e depois deles os romanos já se embebedavam aos montes sem nem sonhar em engarrafar em vidro uma gota de vinho sequer. Eles utilizavam os mais diversos recipientes, que eram fechados das formas mais criativas possíveis (couro, tecido, cera – não a de ouvido!).
Toda essa informação, atualmente, só serve como resenha de mesa de bar, se a sua intenção for demonstrar que possui mais cultura superficial e inútil que Jô Soares e sob o sério risco de que seus amigos te apelidem de Gilberto Gil dos vinhos.
O que eu estou tentando justificar é algo que é pouco justificável, porém que já é uma realidade: os vinhos vendidos em bag-in-box (aquelas caixas de 3 litros com torneirinha)
Essa semana, enquanto fazia mercado, passei pelo corredor das bebidas buscando algumas cervejas e acabei foi esbarrando com uma bag-in-box de um vinho português produzido por José Maria da Fonseca (o mesmo do Periquita). O vinho se chamava Montado, 2007. Acabei me rendendo à curiosidade.
Incorporando um pensamento semelhante ao de um cara solteiro em final de festa, tentei deixar de lado a cerimônia e fui esperando encontrar nada mais que um vinho óbvio que, se muito, serviria para uma taça solitária antes de dormir.
Aproveitei que Bernard e Fialho iriam passar lá em casa para abrir um Don Laurindo (Cabernet Sauvignon, 2005) que Bernard trouxe do RS, afinal, amigo é pra dividir as coisas boas e as ruins.
Servimos as taças com o dito Alentejano. Então, qual foi a nossa surpresa?
Surpresa?! Você acha que realmente teria alguma surpresa?! Isso aqui não é comédia romântica não, rapaz! Quer final feliz? Vá ver desenho da Disney! Vinho de caixa é vinho de caixa e acabou. Não tem charme, privilegia-se a quantidade e preço baixo. Quando muito, serve para uma taça solitária antes de dormir.
Vinho bom vem em garrafa de vidro e - digo mais - fechado com cortiça.



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Àquele que encomendou meia garrafa de vinho, faltar-lhe-á sempre a outra meia". (Gomez de La Serna)

Não haveria de ser um réquiem. As duas únicas garrafas de castas portuguesas que tivemos o prazer de experimentar nos causaram - a mim, a Ricardo e a Rogério - tamanha surpresa que não pude deixar faltar aos meus demais confrades e amigos.

Eis o que nos espera.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Um bom varietal português

Esse varietal produzido pela Hero do Castanheiro, também veio na bagagem do nosso diretor André Fialho. Um excelente Castelão, da safra de 2001, o Hero da Machoca é produzido na Península de Setúbal, Região da Palmela, em Portugal. Medalha de prata no CMB de 2004, esse vinho foi muito bem recebido por nós no dia 22.07.2009. Por sugestão de Vicenzo, essa garrafa veio acompanhada de um suave carpacio de polvo.

O melhor da noite























Com as honras da família Brandão, lá de Póvoa de Varzim, bebemos esse surpreendente representante lusitano, Adega Cooperativa de Borba Reserva 2005 (Aragonez, Trincadeira, Castelão e Alicante), produzido pela vinícola de mesmo nome, na região do Alentejo.
Esse vinho recebeu medalha de ouro no CMB, 2008 e, pela nossa análise, merece realmente todos os prêmios.