Quatro amigos-irmãos que resolveram se reunir para ir além de decorar quantos pontos a garrafa recebeu do mais novo guia da moda. Aqui aprendemos esvaziando garrafas e mantendo a amizade com a taça cheia.
No dia 17 de abril será comemorado o dia mundial da Malbec, uva francesa que ganhou destaque e personalidade na Argentina e que, por razões óbvias, foi uma das mais citadas neste humilde blog.
A iniciativa, promovida pela Wines of Argentina, contemplará eventos em cidades como New York, Toronto e Londres e, claro, na mais importante de todas: Mendoza.
Os sortudos que quiserem (e puderem) dar uma passada na capital mundial do Malbec na data da festa podem encontrar maiores informações no link abaixo:
Após meses de silêncio, estamos aqui outra vez. Em uma noite hilária, com direito crises de riso às custas da infeliz confusão hermenêutica de Fialho sobre cenas do cinema nacional (para maiores detalhes, consultar o próprio), degustamos cinco garrafas: Cuna de Piedra 2006 (Cabernet - Uruguai), Quinta do Portal 2006 (Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca - Portugal - Douro), Trapiche Pinot Noir Roble 2008 (Argentina - Mendoza - Lujan de Cuyo), um Porca de Murça (que infelizmente não anotamos a safra) e um excelente Elos 2007 da nacionalíssima Lídio Carraro (Brasil - Vale dos Vinhedos - Malbec/Cabernet).
Sem dúvidas, o mais marcante da noite foi o Elos, vinho com bom corpo, cor e aromas intensos e excelente persistência. Acompanhou muito bem o prato de beringelas gratinadas com Parma e Mussarela de búfala elaborado por André (Fialho). Um interessante corte de Malbec e Cabernet que efetivamente posiciona os vinhos nacionais na mesma prateleira dos bons vinhos da Argentina, Chile e Portugal.
Outra garrafa interessante foi o Pinot da Trapiche, que surpreendentemente se integrou bem com o carvalho (9 meses envelhecido em Carvaho Francês e Americano), o que criou uma referência diferente da que estamos acostumados em ver nos Pinots.
O cabernet Uruguaio (Cuna de Piedra) se mostrou um vinho bastante agradável. Mais puxado ao frutal do que ao amadeirado, só deixou um pouco a desejar em relação à persistência.
Os lusitanos Quinta do Portal e Porca de Murça, por sua vez, se mostraram vinhos agradáveis, ainda que sem um caráter marcante. Se posicionam mais como vinhos de acompanhamento - agradariam qualquer público em qualquer mesa de jantar - do que vinhos de degustação. Certamente têm o seu lugar.
Como já era de se esperar, o fato de ter passado quase 20 dias na Argentina contribuiu com alguns litros de informações semi-úteis – ou quase – e, principalmente, de opiniões e palpites, matéria prima fundamental desse blog.
Assim, para não perder ainda mais tempo, vamos começar pela agradável experiência gastronômica que vivi no Restaurante Cabernet, em Palermo. http://www.cabernet-restaurant.com.ar/
Caminhando por Palermo acabei esbarrando nesse charmoso restaurante e no seu curioso nome Cabernet. Digo curioso ao menos para a Argentina, pátria mãe, ainda que adotiva, da Malbec.
O Cabernet é um restaurante que prima por uma carta de vinhos enxuta, porém completa. Posso estar enganado – o que, aliás, não me é incomum – mas tive a impressão de que a carta foi cuidadosamente elaborada tendo-se em conta, efetivamente, o menu oferecido pela cozinha.
Em outras palavras, a mensagem que percebi foi: “o que você precisa para acompanhar nossos pratos, está aqui. Seja você mais ou menos exigente.”
O atendimento foi excelente e os pratos muito bons.
Pedi de entrada uma Crema de Cebollas, seguido de um Bife de Chorizo a las 3 pimientas con Echalotte confitados e flan de maíz.
O sorvete de limão, por conta da casa, numa pequena porção simplesmente para limpar o paladar entre os pratos foi um cuidado inesperado.
A recomendação de vinho foi um Don David Malbec 2008.
Um malbec de Salta, da El Esteco, tradicional Bodega del Valle de Cafayate.
Um vinho que me saiu por 54 pesos (R$ 27,00 – viva ao câmbio favorável) e que, certamente, valeu muito mais que isso.
A primeira vez que ouvi falar na Viña Hormigas foi no livro 1001 Vinhos para Beber Antes de Morrer. Confesso que mais me chamou atenção a curiosa história da fundação da vinécola que as considerações feitas pelo especialista Monty Waldin sobre o Alto de Las Hormigas Malbec Reserva Viña Hormigas 2002, que mereceu a inclusão na lista dos então 1001 vinhos que temos que beber antes da cirrose. A vinícola foi fundada por um grupo de italianos em 1995, encabeçados por Alberto Antonini e Antonio Morescalchi. "Um vinhedo foi plantado nos solos argilosos de Lujan de Cuyo, adjacentes ao lugar onde fica hoje a vinícola, mas as videiras foram quase imediatamente atacadas por formigas (hormigas). Daí o nome da vinícola." (p. 419) Tempos depois da leitura, esbarrei com o Alto de Las Hormigas Malbec 2007 numa promoção pela bagatela de R$ 42,00. Tudo bem que não era o recomendado "reserva" Viña Hormigas, que passa 18 meses em barris de carvalho, tampouco era da safra de 2002, mas sendo da mesma família achei que valia a pena experimentar. Realmente valeu muito. Como costumo dizer: Mais um Malbecão! Um vinho rubi intenso com alos arroseados. No nariz as potência da fruta visceralmente com notas de fumo e madeira. Por fim, na boca é encorpado, com boa acidez e persistência média. Notas de especiarias, que me lembraram pimenta preta também surgiram. A potência alcoólica é condizente com a própria personalidade do vinho. Nada que um tempo de decanter não amenize. Um vinho intenso em todos os sentidos. Quase selvagem e com uma "marra" argentina que o marcam como um vinho de personalidade. Definitivamente acompanharia um belo bife de chorizo.
É verdade . A Argentina tem dominado nossas postagens. E não é à toa. Bons vinhos, excelentes preços e, como se não bastasse, a Malbec é foda! O resultado não poderia ser outro: Tem sempre uma garrafa hermana na minha adega. Fabão (Amigo Oficial) diz que na casa dele tem malbec toda semana. As nossas postagens, portanto, quase sempre acham um espaço para o malbec da vez. E ele é o VVV Vicente Vargas Videla 2006. Um malbec pruduzido pela Bodegas e Viñedos Tierras Altas - Vargas Arizu, com uvas cultivadas em Lujan de Cuyo, Mendoza. A primeira vez que provamos (Eu, Rogério, Fialho, Andrea e Tio Sérgio) esse vinho foi numa degustação de Malbec promovida pela Adega Tio Sam e orientada pela sua jovem e competente sommelier Camila. Dentre 6 vinhos degustados esse foi aprovado por todos, sendo, inclusive, o preferido de alguns, batendo em concorrentes de faixa de preço mais elevada. De cara vale o alerta: esse vinho precisa respirar. Com impressionantes 14% de álcool, é um vinho que exige um decanter. Eu tive a oportunidade de prová-lo após decanter e também direto da garrafa e digo que quem for direto aos finalmentes vai ter um julgamento injusto. Ele só se abre quando respira e perde potência alcóolica. Passadas as preliminares, é um vinho excelente. Rubi intenso, profundo, límpido. Fruta marcante. Na garrafa degustada na Adega Tio Sam, apresentou notas animais evidentes - teve gente que disse que era couro, gente que disse que era pelo molhado, pra mim era cheiro da jaula de leão, deve ser alguma referência da infância que só a psicanálise explica. Na garrafa que abri em casa, notas de coco queimado e caramelo eram mais evidentes. De qualquer forma, as duas garrafas demonstraram que ele é um vinho onde a fruta é bem integrada com o que lhe confere o carvalho, gerando um bouquet interessante e intenso. Encorpado, volumoso. Boa acidez. Taninos médios. Boa persistência. Definitivamente, um malbec de peso, ou seja, um malbecão.
Pode parecer bem estranho e contraditório que um blog que usa como lema um texto de Matt Kremer (já tá ficando chato citar esse cara!) que critica o atual julgamento atlético dos vinhos, volta e meia inclua em suas publicações algumas referências às pontuações, especialmente de Robert Parker. Destaco R.P., no meio de tantos outros avaliadores e críticos, pelo simples fato de que se os vinhos estão sendo avaliados como atletas, Robert Parker, certamente, é o Armando Nogueira das uvas. Com um agravante: se um vinho não é bem avaliado pelo cara, dificilmente ele vai para a seleção mundial. Realmente não achamos que a pontuação de um vinho é o mais importante. Até onde sei, o vinho é feito de uvas, não de pontos. Se nunca deixei de assistir um filme porque a crítica disse que era ruim, nunca deixarei de provar um vinho por esse motivo. Gosto de ter minha própria opinião sobre as coisas. Mas, nos vinhos, assim como na vida, tem gente que ousa mais ou menos. Para estes últimos, a segurança de uma boa avaliação não tem preço – quer dizer... tem preço e normalmente é caro. Enfim. Não estamos aqui para falar de Robert Parker. Estamos aqui para falar de um vinho. Não um vinho qualquer, mas um excelente vinho, um dos melhores que provamos: o Alta Vista Malbec Grande Reserve - Terroir Selection 2006. Um vinho frutado ao extremo. Mais fruta que... a torcida do São Paulo! Mas não é só. Ao nariz, apresenta ainda notas minerais (ferrugem, metal) que remetem a maresia (pode parecer viagem, mas foi opinião de todos os presentes). Na boca é amadeirado, com taninos fortes, porém realmente aveludados. Uma persistência excelente. Ah, antes que eu esqueça. Esse vinho recebeu 91 pontos de R.P., mas isso não importa.
O Rutini é daqueles vinhos que não há como não falar bem. Um grande, entre os tantos acertos da La Rural (Mendoza, AR).
Eu, particularmente, sou fã, tanto do Malbecão quanto desse corte de Cabernet com Malbec que provamos em 10/09/2009 e que a preguiça só me fez "postar" hoje.
É um vinho tão agradável em seu equilíbrio que, segundo o Cmte. Bernard, "dá pra beber uma garrafa no gargalo". O comentário de "Caê" foi somente para destacar que o vinho é muito bom, afinal, ele merece um pouquinho mais de cerimônia.
No geral, consideramos que é um vinho de bom corpo (médio), muito redondo, taninos suaves, nenhum amargor e mais frutado que amadeirado (lá ele) - no chute: acho que é justamente pelo corte de Malbec que lhe acentua o caráter de frutas vermelhas. O destaque é realmente o equilíbrio. Se o saudoso Telê Santana ao invés de técnico tivesse sido enólogo, eu acho que ele iria fazer um vinho parecido com esse.
Em Salvador, ele pode ser comprado na Casa dos Vinhos e fica na faixa dos R$ 100,00. Então quem for pra Argentina traga vários porque lá sai por uns 70 a 80 pesos. Se quiserem nos mandar uma garrafa em agradecimento, prometo que não vamos beber no gargalo.
Hoje nossa visão dos vinhos é cada vez mais mecanicista. Eles são julgados como atletas e ganham notas como tais. Atualmente, além de estar na moda, é considerado plausível dizer que a pontuação de um vinho é 89, ao passo que a de outro é 92. Isso dá a impressão de que o vinho é uma substância de manufatura precisa - estática o suficiente não apenas para receber como também para merecer uma pontuação exata. Esse comportamento reflete a crença contemporânea de que, em questão de gosto, tudo é relativo e, portanto, sujeito a competição. (Matt Kramer)
Amigos e vinhos
Paixão é, acima de tudo, irracional. Não escolhemos nossas paixões. Não analisamos com frieza as vantagens e desvantagens; não colocamos na balança os prós e os contras. Apenas nos apaixonamos. O conhecer, analisar, estudar as características e perceber que o objeto de sua admiração instintiva se torna a cada dia mais interessante é o caminho da transformação da paixão em amor.