segunda-feira, 28 de março de 2011

Argentino com cara de Italiano - La Linda Bonarda 2007 da Luigi Bosca



Mesmo já tendo ido algumas vezes à Argentina, nunca havia provado nenhum vinho da uva Bonarda, uva bem menos famosa do que a Malbec mas que, segundo os hermanos, se adaptou muito bem ao clima de Mendoza.
Reparei esse erro no sábado passado, ao jantar no Chez Bernard, aqui em Salvador. Provei um La Linda Bonarda 2007, influenciado totalmente pela bodega produtora, a Luigi Bosca, que tem me agradado muito em todos os vinhos recentes que provei (tintos - especialmente o De Sangre, um blend de Cabernet, Merlot e Syrah excelente - e também os brancos - a exemplo do Sauvignon Blanc).
Mais uma vez a Luigi Bosca me agradou. Um vinho de corpo razoável e com todas as características clássicas que esperamos num bom vinho - persitência, equilíbrio, aromas interessantes, mas o que realmente me chamou a atenção foi o "jeitão" italiano, me lembrando, inclusive, algumas garrafas de chianti que provei (o que pode ser uma impressão totalmente falsa e guiada unicamente pela origem italiana da uva, diga-se de passagem).
O que importa é que o vinho é bastante agradável e com custo benefício interessante. Acompanhou muito bem a fantástica Paleta de Cordeiro com purê trufado.

domingo, 9 de janeiro de 2011

O primeiro encontro de 2011

Após meses de silêncio, estamos aqui outra vez. Em uma noite hilária, com direito crises de riso às custas da infeliz confusão hermenêutica de Fialho sobre cenas do cinema nacional (para maiores detalhes, consultar o próprio), degustamos cinco garrafas: Cuna de Piedra 2006 (Cabernet - Uruguai), Quinta do Portal 2006 (Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca - Portugal - Douro), Trapiche Pinot Noir Roble 2008 (Argentina - Mendoza - Lujan de Cuyo), um Porca de Murça (que infelizmente não anotamos a safra) e um excelente Elos 2007 da nacionalíssima Lídio Carraro (Brasil - Vale dos Vinhedos - Malbec/Cabernet).




Sem dúvidas, o mais marcante da noite foi o Elos, vinho com bom corpo, cor e aromas intensos e excelente persistência. Acompanhou muito bem o prato de beringelas gratinadas com Parma e Mussarela de búfala elaborado por André (Fialho). Um interessante corte de Malbec e Cabernet que efetivamente posiciona os vinhos nacionais na mesma prateleira dos bons vinhos da Argentina, Chile e Portugal.

Outra garrafa interessante foi o Pinot da Trapiche, que surpreendentemente se integrou bem com o carvalho (9 meses envelhecido em Carvaho Francês e Americano), o que criou uma referência diferente da que estamos acostumados em ver nos Pinots.

O cabernet Uruguaio (Cuna de Piedra) se mostrou um vinho bastante agradável. Mais puxado ao frutal do que ao amadeirado, só deixou um pouco a desejar em relação à persistência.

Os lusitanos Quinta do Portal e Porca de Murça, por sua vez, se mostraram vinhos agradáveis, ainda que sem um caráter marcante. Se posicionam mais como vinhos de acompanhamento - agradariam qualquer público em qualquer mesa de jantar - do que vinhos de degustação. Certamente têm o seu lugar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ainda sobre vinho e design




Pra os que deixam garrafas pela metade, a solução do designer George Lee é útil pra manter o vinho e, principalmente, o estilo.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vinho e design


Assim fica mais fácil convencer a esposa a deixar você ter várias garrafas de vinho em casa













segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Bad Boy | A ovelha negra de Bordeaux




Eu confesso a voces que JAMAIS compraria um vinho às cegas cujo rótulo estampasse uma ovelha negra, descansando apoiada sobre uma placa escrita:"Garagem".

Um grande amigo meu, e também pesquisador (leia-se consumidor) de vinhos me contou a história desse vinho incrível antes de abrirmos esta que era sua última garrafa, adquirida recentemente na Casa do Porto em SP.

O produtor desse vinho de qualidade excepcional é ex-lenhador, ex-bancário e ex-Dj: Jean Luc Thunevin. Na região de Bordeaux, as vinícolas sempre pertenceram à aristocracia e suas administrações eram passadas pelas famílias, através das gerações. Isto tornava a atividade da produção de vinhos, bem como os méritos pela qualidade alcançada, restritos à um clã muito seleto.

Thunevin torna-se então, pioneiro do movimento chamado "garagista", apoiado por pequenos produtores sem berço aristocrático ou tradição nos vinhedos, mas munidos de muita disposição e de um sonho bem simples: fazer grandes vinhos.

Não era enólogo nem tinha dinheiro. Teve que descolar um empréstimo no banco pra iniciar seu negócio. Como estratégia para obter uma boa safra, reduziu sua produção pela metade. Seu primeiro "vinho de garagem" o Chateau Valandraud,em homenagem a sua esposa e parceira de empreitada Murielle Andraud, recebeu logo na primeira safra aclamação da crítica e pontuação de Robert Parker mais alta que a do Petrus.

O Bad Boy ganhou este título graças a um comentário de Robert Parker sobre Thunevin, que por ter contrariado a tradição local e ainda assim ter obtido êxito na produção de vinhos de excelente qualidade, era visto como a ovelha negra dos produtores de vinho de Bordeaux.

Este que experimentamos no sábado, é de 2006 e segundo o próprio Jean Luc em seu blog:" Um vinho para agradar aos amantes do vinho tanto quanto, ou mais, do que os vinhos mais caros” (http://thethunevinblog.com), no que eu concordo plenamente.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Rutini Vin Doux Naturel 2003 - a Argentina ocupando seu lugar também nos vinhos de sobremesa



A Argentina definitivamente vem ocupando seu espaço também na produção qualificada de vinhos de sobremesa. Eu, que particularmente gosto muito mais dos vinhos de colheita tarde ou naturalmente doces do que os licorosos/fortificados, tive uma excelente surpresa ao provar o Rutini Vin Doux Natural 2003.

Na verdade, falar em surpresa com os vinhos Rutini da La Rual é uma grande injustiça, mas no meu pouco conhecimento não imaginava que eles tinham um vinho de sobremesa à altura dos demais vinhos da linha.

Cheguei a postar no twitter sobre esse vinho lá mesmo da Argentina, mas achei que era justo fazer uma homenagem mais completa.

O Rutini Vin Doux Naturel é feito com 50% Semillón de Tupungato, 50% Verdicchio de Agrelo que são colhidas tardiamente, de maneira que sofrem uma supermaturação na própria planta.

Pra melhorar, o vinho fica por cerca de 15 meses em barrica.

Visualmente o vinho encanta com seu dourado intenso, quase âmbar. Extremamente límpido e brilhante.

Delicado, elegante e aromático. Apresenta notas cítricas (laranja) bem integradas com aromas que me lembraram damasco e frutas secas em geral.

Vinho de boa persistência e final muito agradável.

Ainda não chega no mesmo nível de um Vin Santo del Chianti San Felice, por exemplo, mas é um vinho muito bom e é digno de ser batizado como um Rutini.

http://www.bodegalarural.com.ar/fch_fr_rvindouxnaturel.htm

terça-feira, 27 de julho de 2010

No Cabernet um Malbec de Cafayate. Quem entende?



Como já era de se esperar, o fato de ter passado quase 20 dias na Argentina contribuiu com alguns litros de informações semi-úteis – ou quase – e, principalmente, de opiniões e palpites, matéria prima fundamental desse blog.

Assim, para não perder ainda mais tempo, vamos começar pela agradável experiência gastronômica que vivi no Restaurante Cabernet, em Palermo. http://www.cabernet-restaurant.com.ar/

Caminhando por Palermo acabei esbarrando nesse charmoso restaurante e no seu curioso nome Cabernet. Digo curioso ao menos para a Argentina, pátria mãe, ainda que adotiva, da Malbec.

O Cabernet é um restaurante que prima por uma carta de vinhos enxuta, porém completa. Posso estar enganado – o que, aliás, não me é incomum – mas tive a impressão de que a carta foi cuidadosamente elaborada tendo-se em conta, efetivamente, o menu oferecido pela cozinha.

Em outras palavras, a mensagem que percebi foi: “o que você precisa para acompanhar nossos pratos, está aqui. Seja você mais ou menos exigente.”

O atendimento foi excelente e os pratos muito bons.

Pedi de entrada uma Crema de Cebollas, seguido de um Bife de Chorizo a las 3 pimientas con Echalotte confitados e flan de maíz.

O sorvete de limão, por conta da casa, numa pequena porção simplesmente para limpar o paladar entre os pratos foi um cuidado inesperado.

A recomendação de vinho foi um Don David Malbec 2008.

Um malbec de Salta, da El Esteco, tradicional Bodega del Valle de Cafayate.

Um vinho que me saiu por 54 pesos (R$ 27,00 – viva ao câmbio favorável) e que, certamente, valeu muito mais que isso.

Rubi intenso. Boa integração fruta/madeira, baixa acidez, bom volume, taninos marcantes, boa persistência.

Uma característica que me chamou atenção foi a atribuída por notas de especiarias que eu não lembro de ter visto em outro malbec.

Será esse o caráter próprio dos malbec de Salta? Só mesmo provando outras garrafas. Que dureza!


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Da série "lugarzinhos" - Adega Santiago




Confrades e fiéis seguidores,

Nossa proposta é clara: “manter a amizade com as taças cheias”. Em minha opinião, (e me permitiram expressá-la quando criamos este espaço) essa filosofia não está 100% completa se os pratos estiverem vazios.

O vinho é a bebida gastronômica por excelência. Com o vinho, uma refeição se completa mais do que com qualquer outra bebida.
Eis então uma dica que considero especial.

ADEGA SANTIAGO
Bar e Cozinha da Península

Como o nome já diz, a casa é especializada na cozinha luso-espanhola e oferece grande variedade de vinhos portugueses.
Possuem o vinho da Península Ibérica como protagonista, numa carta com mais de 250 rótulos.
Na Adega Santiago, o ambiente rústico é ornado com paredes de tijolos aparentes, luz de velas e móveis feitos de madeira espalhados pelos dois pisos da casa.

Receitas típicas dos países ibéricos fazem parte do cardápio. Tem sardinhas portuguesas preparadas no formo à lenha, paella e opções de pratos feitos com bacalhau. As sobremesas marcam presença inspiradas nos doces conventuais, como o pastel de santa clara, além de churros e do famoso creme catalão. Para beber, sangria, chope e vinhos de Portugal e Espanha.

Endereço: Rua Sampaio Vidal, 1072 - Zona Sul - (11) 3081-5211
Funcionamento: Segunda a sexta, 12h às 15h e 18h à 0h; sábado, 12h à 0h; domingo, 12h às 22h.
Capacidade: 75 pessoas
Pagamento: Visa, Mastercard, American Express, Dinners
Valor médio: $$$
Possui (Manobrista | Pago)
Site: www.adegasantiago.com.br

quarta-feira, 12 de maio de 2010

NOVECENTO riserva - Chianti Classico 2005 - Dievole



O que se esperar de um chianti que é batizado de Novecento em homenagem aos novecentos anos da vinicola? Pois é. Também tentei responder a essa pergunta diversas vezes, já ciente de que, qualquer resposta, certamente influenciaria negativamente minha experiência com esse vinho. Digo isso porque, na minha opinião, não se pode desenvolver com nenhum vinho uma relação com excessiva expectativa, seja com aqueles que você já provou e gostou, seja com os que você não provou ainda. Cada garrafa é única, por mais clichê que isso possa parecer.
O Novecento foi um dos vinhos que eu trouxe da Itália. Comprei na L'antica Enoteca por recomendação do vendedor. A bela garrafa de vidro pesado e com rótulo dourado, além de um selo de cera com o número 900, realmente lhe remetem ao passado e ajudam demais no apelo de compra.
Nesse cenário, realmente fica difícil não esperar demais do vinho.
Pois bem, é realmente um grande chianti. É vinificado com 90% de sangiovese e 10% de uma casta chamada bacca rossa. Grande corpo, fruta e madeira bem integrados. Se apresentou fechado no início o que me fez ficar arrependido de não ter decantado.
A cor rubi cerrada o torna um belo vinho aos olhos.
Excelente persistência.
Com certeza é um grande vinho e que, com minha curta litragem, me permite colocá-lo talvez como o melhor chianti que já provei.
No entanto, como o excesso de expectativa sempre atrapalha, não sei se estou sendo implicante, mas achei que apresentou um amargor residual que me incomodou um pouco.
Não achei na internet nenhuma loja vendendo esse vinho, mas a vinicola tem uma loja virtual no site (www.dievole.it) que talvez possa ajudar.

Alto de Las Hormigas Malbec 2007 - Quem não tem cão caça com gato



A primeira vez que ouvi falar na Viña Hormigas foi no livro 1001 Vinhos para Beber Antes de Morrer. Confesso que mais me chamou atenção a curiosa história da fundação da vinécola que as considerações feitas pelo especialista Monty Waldin sobre o Alto de Las Hormigas Malbec Reserva Viña Hormigas 2002, que mereceu a inclusão na lista dos então 1001 vinhos que temos que beber antes da cirrose.
A vinícola foi fundada por um grupo de italianos em 1995, encabeçados por Alberto Antonini e Antonio Morescalchi. "Um vinhedo foi plantado nos solos argilosos de Lujan de Cuyo, adjacentes ao lugar onde fica hoje a vinícola, mas as videiras foram quase imediatamente atacadas por formigas (hormigas). Daí o nome da vinícola." (p. 419)
Tempos depois da leitura, esbarrei com o Alto de Las Hormigas Malbec 2007 numa promoção pela bagatela de R$ 42,00. Tudo bem que não era o recomendado "reserva" Viña Hormigas, que passa 18 meses em barris de carvalho, tampouco era da safra de 2002, mas sendo da mesma família achei que valia a pena experimentar.
Realmente valeu muito. Como costumo dizer: Mais um Malbecão!
Um vinho rubi intenso com alos arroseados. No nariz as potência da fruta visceralmente com notas de fumo e madeira.
Por fim, na boca é encorpado, com boa acidez e persistência média. Notas de especiarias, que me lembraram pimenta preta também surgiram.
A potência alcoólica é condizente com a própria personalidade do vinho. Nada que um tempo de decanter não amenize.
Um vinho intenso em todos os sentidos. Quase selvagem e com uma "marra" argentina que o marcam como um vinho de personalidade.
Definitivamente acompanharia um belo bife de chorizo.