domingo, 20 de setembro de 2009

Ferreira 10 anos Quinta do Porto Tawny


Aproveitando as curiosidades enofilosóficas do Nego Gil, especialmente quanto ao antigo modo de produção dos Vinhos do Porto, eis uma bela indicação de um licoroso lusitano produzido às margens do Douro: O 10 Anos Quinta do Porto Tawny. Produzido na Quinta do Douro, uma das propriedades da tradicional Ferreira, a partir de castas selecionadas da região, este vinho é, posteriormente, envelhecido por, nada mais nada menos que, dez anos em cascos de carvalho (ou melhor, em pipas de carvalho), fato que lhe confere uma cor mais acastanhada. O Ferreira 10 Anos Quinta do Porto Tawny apresenta aromas de frutos secos e especiarias e, logicamente, de madeira. O que se apresenta no nariz é uma exata prévia do seu sabor bastante aveludado e macio.

Uma curiosidade: O Vinho do Porto é produzido às margens do rio Douro (região de interior) e levados à cidade de Vila Nova de Gaia para envelhecimento nos barris de carvalho, entretanto, ficou conhecido como Vinho do Porto. Na foto postada acima, temos os barcos rabelos, que, antigamente, faziam o transporte do vinho pelo Douro até Vila Nova de Gaia; a Ponte Dom Luiz I, ao fundo; e, à esquerda, a cidade do Porto. À direita, onde se encontra este que vos fala, está Vila Nova de Gaia.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Jamais misture

Nunca, em nenhuma hipótese, misture coca-cola, gelo ou outra porcaria numa taça de um bom vinho. Se seu paladar é esse, se contente em sentar num "buteco pela porco" e peça um "rabo-de-galo". Você será mais feliz e as pessoas a sua volta, que gostam de vinho, também ficarão mais contentes.

Jogue o chiclete fora

Se alguém lhe oferece uma taça de vinho, jogue o chiclete fora antes de provar - a não ser que seja um Don Bosco, Chalise, Sangue de Boi e o chiclete seja uma estratégia para disfarçar o gosto da porcaria.

Cuidado com os elogios

Se num jantar lhe oferecem um vinho cuidadosamente escolhido e você, após provar, quer elogiá-lo, "pelamordedeus" não diga: "É... nem arranha!". Fale qualquer coisa do tipo: Muito bom, adorei. Só não largue um "nem arranha", porque isso não é elogio que se faça.

Nunca diga que um vinho é tântrico

O vinho tem taninos, por isso ele pode ser TÂNICO. Tântrico é outra coisa. Se você quiser saber mais pode mandar um e-mail para Marta Suplicy, relaxar e... esperar a resposta.

Coisas que você não deve fazer

Sempre que nos reunimos para conversar surgem histórias, quase sempre verídicas, de situações bizarras envolvendo, de algum modo, o hábito de degustar vinhos. Deixar essas pérolas de cultura (semi) inútil se perderem seria um grande erro. Afinal, se temos pouco a contribuir em relação aos vinhos, posso me gabar de que temos muito a compartilhar sobre resenhas de mesa.

Assim, passaremos a publicar esse material na coluna enofilosófica do guru Nego Gil.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Porto - curiosidades do Nego Gil

Você sabia que até meados de 1730 o Porto era fortificado com conhaque após a fermentação, o que os tornava bem diferentes dos atuais em que o conhaque é adicionado durante o processo para interromper a fermentação? Isso resultava em um vinho não tão doce quanto o atual.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Fazenda Macalé 2001 – Castelão e Cabernet Sauvignon – Boca revestida por um guardanapo

Num desses fins de semana resolvi abrir uma das garrafas que trouxe de Portugal. Confesso que estava um tanto quanto mal acostumado com os vinhos lusitanos, haja vista termos experimentado apenas vinhos de ótima qualidade. Entretanto, qual não foi a minha decepção ao beber o Fazenda Macalé 2001. O fato de haver sido o tal vinho premiado com a medalha de ouro no II Concurso de Vinhos da Península de Setúbal, realizado no ano de 2002, bem como eleito o melhor vinho tinto naquele mesmo concurso fez nascer em mim tamanha expectativa que, talvez, não seja ele tão ruim assim. Como dizem, "quanto maior o gigante, maior a queda". Aos olhos apresenta-se púrpuro, entretanto, bastante turvo. A sua falta de complexidade aromática deixa bastante clara a presença de frutos vermelhos e madeira. Quanto ao paladar, o excesso de taninos faz crer que a boca foi revestida po r um guardanapo, possuindo uma irritante persistência - amenizada, apenas, por um bom copo de leite puro. Não posso negar que o conjunto da obra, aliada ao seu nome nada glamoroso, trouxe-me à memória o sorriso de Tião Macalé, aquele concedido ao público após receber a nota zero, precedido do conhecido: Nojento. Tchan!


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sasseo 2006 - Masseria Altemura



Retornando, ainda que tardiamente, à análise dos vinhos Italianos que provamos em 19 de agosto, vou passar a opinião do grupo sobre esse tinto de Salento.


Produzido com uvas Primitivo (maiores informações podem ser encontradas no blog da Adriana Grasso, que trata com maestria dos vinhos italianos http://vinhositalianos.blogspot.com/) essa garrafa apresentou-se visualmente interessante em púrpura com tons "acobreados" (contribuição de Eduardo Fialho). Todavia as melhores impressões ficaram só no visual. Vinho de pouco corpo e taninos suaves. Madeira/baunilha e frutas vermelhas predominam. A persistência curta foi comparada - de maneira técnica e sútil, ressalte-se - ao "tesão de mijo". Isso mesmo, aquele que surge geralmente pela manhã e que desaparece rapidamente após a urinada matinal.


No final, foi considerado um vinho agradável e fácil para situações comuns. Bom para ser levado, por exemplo, para jantares com pessoas de gostos variados.

http://www.masseriaaltemura.it/

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O vinho e a garrafa


Desde que Dom Perignon era vivo que a idéia da garrafa de vidro vedada por uma rolha de cortiça como veículo ideal para a comercialização, armazenamento e mesmo envelhecimento do vinho é dominante no mundo.
Não que se queira atribuir também a ele os louros da criação da fantástica idéia de que os vinhos devem ser engarrafados em vidro. Aliás, ele nem precisa de mais qualquer reconhecimento, afinal, está imortalizado pela história como o homem que deu nome ao vinho espumante mais conhecido e desejado no globo.
A verdade é que esse absurdamente feliz e duradouro casamento entre o vidro e o vinho – retificando, trata-se de um triangulo amoroso, afinal não podemos esquecer que a sugestiva rolha de cortiça se introduz na relação, lá ele! –, criou a plena convicção de que não existe outro recipiente possível para armazenar a bebida dionisíaca. Porém, há provas históricas incontestáveis de que o vinho precede a garrafa de vidro.
Os gregos e depois deles os romanos já se embebedavam aos montes sem nem sonhar em engarrafar em vidro uma gota de vinho sequer. Eles utilizavam os mais diversos recipientes, que eram fechados das formas mais criativas possíveis (couro, tecido, cera – não a de ouvido!).
Toda essa informação, atualmente, só serve como resenha de mesa de bar, se a sua intenção for demonstrar que possui mais cultura superficial e inútil que Jô Soares e sob o sério risco de que seus amigos te apelidem de Gilberto Gil dos vinhos.
O que eu estou tentando justificar é algo que é pouco justificável, porém que já é uma realidade: os vinhos vendidos em bag-in-box (aquelas caixas de 3 litros com torneirinha)
Essa semana, enquanto fazia mercado, passei pelo corredor das bebidas buscando algumas cervejas e acabei foi esbarrando com uma bag-in-box de um vinho português produzido por José Maria da Fonseca (o mesmo do Periquita). O vinho se chamava Montado, 2007. Acabei me rendendo à curiosidade.
Incorporando um pensamento semelhante ao de um cara solteiro em final de festa, tentei deixar de lado a cerimônia e fui esperando encontrar nada mais que um vinho óbvio que, se muito, serviria para uma taça solitária antes de dormir.
Aproveitei que Bernard e Fialho iriam passar lá em casa para abrir um Don Laurindo (Cabernet Sauvignon, 2005) que Bernard trouxe do RS, afinal, amigo é pra dividir as coisas boas e as ruins.
Servimos as taças com o dito Alentejano. Então, qual foi a nossa surpresa?
Surpresa?! Você acha que realmente teria alguma surpresa?! Isso aqui não é comédia romântica não, rapaz! Quer final feliz? Vá ver desenho da Disney! Vinho de caixa é vinho de caixa e acabou. Não tem charme, privilegia-se a quantidade e preço baixo. Quando muito, serve para uma taça solitária antes de dormir.
Vinho bom vem em garrafa de vidro e - digo mais - fechado com cortiça.